VÍDEO VIRAL REACENDE ALERTA SOBRE COLONOSCOPIA E PREVENÇÃO DO CÂNCER DE INTESTINO
Por Adelar Dias Junior | Jornalista MTB2593/ES

Imagem: IA generativa com direção de arte e edição da Revista Pauta Solta.
Médico chama atenção para alimentação, exames preventivos e usa o caso de Preta Gil para reforçar a importância do diagnóstico precoce
Que impacto te causa a palavra “câncer”?
Pois é, poucas palavras despertam tanto medo.
Quando o assunto é câncer de intestino, esse receio muitas vezes faz com que as pessoas adiem justamente o que pode salvar suas vidas: a prevenção.
Quem nunca ouviu aquele famoso “não vou procurar o que não perdi”?
Ou aquele outro clássico: “quem procura, acha”?
Foi justamente porque o problema é que, às vezes, acha tarde demais, que esse tema voltou à conversa nos últimos dias por causa de um vídeo publicado pelo médico Dr. Luciano Quinellato, que viralizou e colocou muita gente para falar sobre colonoscopia, alimentação e a importância de descobrir a doença antes que ela bata à porta.
O vídeo chegou até mim por meio de um compartilhamento feito pela minha irmã, Roxane Dias, um exemplo de como esse assunto saiu dos consultórios e foi parar nas mesas de almoço, nos grupos de WhatsApp e naquela conversa de fim de tarde entre amigos.
Em poucos minutos, o médico liga vários pontos. Fala da alimentação, explica por que a colonoscopia é tão importante, mostra o caso da cantora Preta Gil e deixa um alerta que serve para qualquer um de nós.
🚨 O alerta
Um dos momentos mais fortes do vídeo mostra um trecho da entrevista de Preta Gil no programa Mais Você, da TV Globo. Ela fala da própria experiência com o câncer de intestino e lembra como a colonoscopia pode fazer diferença quando o assunto é prevenção. O trecho voltou a circular com força depois do lançamento do documentário sobre sua trajetória no Globoplay.
Durante a conversa com Ana Maria Braga, a cantora explica que a colonoscopia consegue encontrar alterações antes que elas virem um câncer. Logo depois vem uma frase do Dr. Luciano que faz a gente parar por alguns segundos.
“A Preta Gil não teve tempo de se prevenir, mas talvez você tenha.”
É daquelas frases que não precisam ser longas para deixar um recado. Ela lembra que o melhor momento para cuidar da saúde quase sempre é antes de a doença aparecer.
E a ciência explica o porquê.
Na maioria dos casos, o câncer colorretal cresce devagar. Antes dele aparecer, normalmente surgem pólipos que não provocam dor, não incomodam e passam despercebidos. Quando essas pequenas lesões são encontradas durante a colonoscopia, muitas vezes podem ser retiradas antes mesmo de se transformarem em câncer.
🔎 O exame
Vamos combinar uma coisa?
Tem gente que só de ouvir a palavra colonoscopia já muda de assunto, outros fazem piada, também tem quem diga que “no meu ninguém mexe” e quem morra de vergonha, preconceito, medo.
Tem macho que bate no peito para dizer que é valente, mas foge da colonoscopia como o diabo foge da cruz e tem muita gente que simplesmente empurra o exame para a frente.
“Ano que vem eu faço.”
Quem tem mais de 50 anos talvez se lembre daquela propaganda antiga que dizia: “O primeiro sutiã a gente nunca esquece.”
Pois é…
A primeira colonoscopia também não.
Mas sabe o que é pior?
É nunca fazer a primeira.
A colonoscopia não serve apenas para descobrir um câncer, ela pode impedir que ele apareça.
Durante o exame, o médico consegue visualizar todo o intestino grosso e identificar pólipos que ainda não se transformaram em tumor.
Quando essas pequenas lesões são retiradas, interrompe-se um processo que poderia levar anos até evoluir para a doença. É como apagar uma brasa antes que ela vire incêndio.
Por isso tantos médicos repetem a mesma orientação.
O melhor momento para fazer a colonoscopia é quando ela ainda parece desnecessária, porque, quando passa a parecer urgente, às vezes ela já chegou tarde.
🍔 O prato
Outra parte do vídeo faz muita gente arregalar os olhos.
Porque fala de alimentos que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.
Salsicha, bacon, linguiça, presunto, mortadela, salame… só de falar já tem gente sentindo o cheiro. E ainda tem o cachorro-quente e, claro, aquele queridinho das padarias, o misto, que é pau para toda obra e quebra um galhão quando a pressa aperta.
Mas aí entra também o meu preferido: aquele maravilhoso “Tudoburguer”, carregado de bacon, calabresa, presunto, queijo, maionese, ketchup… aquele que faz qualquer nutricionista respirar fundo antes da primeira mordida.
Foi justamente aí que surgiu uma informação que surpreendeu muita gente.
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), esses alimentos fazem parte do Grupo 1 de agentes carcinogênicos para humanos. É o mesmo grupo em que aparece o cigarro.
Mas calma.
Não precisa sair correndo para jogar o hambúrguer no lixo, cancelar o churrasco do fim de semana ou imaginar que comer um cachorro-quente hoje significa acordar com câncer amanhã.
Não é assim que a ciência funciona.
O que essa classificação mostra é que existe evidência científica de que tanto o cigarro quanto as carnes processadas podem causar câncer. Isso não significa que provoquem o mesmo tamanho de risco.
É como comparar uma chuva de verão com uma enchente. As duas têm água, mas ninguém trata as duas da mesma forma.
Enquanto o cigarro está relacionado a diversos tipos de câncer e representa um dos maiores fatores de risco para a saúde, o consumo frequente de carnes processadas aumenta principalmente o risco de câncer colorretal.
A palavra que merece ficar sublinhada é frequência.
O problema não costuma ser aquele lanche de sábado, a comemoração de aniversário ou o churrasco com a família. O problema é quando a exceção vira rotina, e a rotina passa a ocupar espaço demais no prato.
Já a carne vermelha entrou em outra classificação. Ela foi incluída no Grupo 2A, destinado aos alimentos considerados provavelmente carcinogênicos quando consumidos em excesso.
No fim das contas, seria ótimo se existisse um único culpado. Era só tirar ele do prato e seguir a vida.
Mas não funciona assim.
O câncer colorretal costuma ser resultado de pequenas escolhas repetidas durante muitos anos.
Além das carnes processadas, entram nessa conta a obesidade, o sedentarismo, o cigarro, o consumo de bebidas alcoólicas e uma alimentação pobre em fibras.
Do outro lado da balança estão frutas, verduras, legumes, feijão e cereais integrais. Aquela comida que muita gente chama de comida de verdade.
Talvez a melhor forma de resumir tudo isso seja com um lembrete daqueles que mereciam ficar pregados na porta da geladeira:
Não existe um alimento que provoque sozinho o câncer. Também não existe um alimento capaz de impedir sozinho que ele apareça. O que pesa na balança, quase sempre, é o conjunto das escolhas que repetimos todos os dias.
💭 No fim…
Talvez o vídeo do Dr. Luciano tenha viralizado porque fala de uma doença.
Mas ele ganhou tanta repercussão porque, no fundo, fala de um comportamento que quase todo mundo conhece.
A gente adia exame, empurra consulta, diz que depois marca, repete que “quem procura, acha”.
Enquanto isso, o tempo vai passando.
A boa notícia é que, no caso do câncer colorretal, muitas vezes existe tempo para agir antes que a doença apareça.
A colonoscopia pode encontrar e retirar lesões antes que elas se transformem em câncer. Uma alimentação mais equilibrada, atividade física, menos cigarro, menos álcool e hábitos mais saudáveis ajudam a reduzir os riscos.
E vale um último alerta.
Durante muito tempo, muita gente acreditou que esse era um problema apenas de quem já passou dos 50 anos.
Os estudos mostram que os casos também vêm aumentando entre pessoas mais jovens. Isso não significa viver assustado, mas é mais um motivo para abandonar a ideia de que prevenção tem idade para começar.
Porque, no fim, continua valendo aquela velha máxima.
O melhor momento para cuidar da saúde é quando ela ainda não deu motivo para preocupação.
📌 Pauta Solta | Para pensar
A prevenção raramente faz barulho.
Ela acontece quando a gente decide trocar o “depois eu vejo” pelo “vou cuidar disso hoje”.
Porque, quando o assunto é câncer de intestino, o melhor diagnóstico continua sendo aquele que evita que a doença apareça.
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✍️ Sobre o autor
Adelar Dias Junior é jornalista (MTB/DRT 2593/ES), fundador e editor da Revista Pauta Solta. Mineiro de Resplendor (MG) e morador das Montanhas Capixabas, acredita que o melhor jornalismo nasce de uma boa conversa. Escreve sobre comportamento, cotidiano, economia, política, empreendedorismo e os assuntos que fazem parte da vida das pessoas, sempre com linguagem acessível, olhar crítico e a leveza de quem prefere explicar em vez de complicar.
