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LOA 2027: a festa é nossa, mas quem vai ajudar a montar?


Por Adelar Dias Junior — jornalista (MTB 2593/ES)

LOA 2027 em Marechal Floriano: vereador Diogo da AMAR, Bar América e relógio da Estação ilustram consulta pública do orçamento municipal.
A festa é nossa — e a planilha também. Marechal Floriano pode participar da definição das prioridades da LOA 2027 até 21 de setembro. Fotos: Adelar Dias Junior / Arte: Revista Pauta Solta.


Marechal Floriano abriu consulta pública para a LOA 2027 até 21 de setembro. É a hora de o cidadão ajudar a dizer onde o dinheiro público deve chegar.

Tem festa sendo organizada em Marechal Floriano. E, pelo jeito, muita gente ainda nem percebeu que foi chamada para ajudar a montar a mesa.

Em 2 de setembro, o vereador Diogo da AMAR apresentou na Câmara Municipal o Requerimento nº 130/2026, pedindo ao Poder Executivo informações oficiais sobre o andamento da consulta pública destinada à elaboração da LOA 2027 de Marechal Floriano. O documento chamou a atenção deste jornalista para uma discussão que deveria interessar diretamente a quem mora, trabalha, paga impostos e depois cobra estrada, saúde, iluminação, educação, pavimentação e tantos outros serviços públicos.

Nove dias depois, em 11 de setembro, a Prefeitura abriu em seu site a consulta pública da LOA 2027, que seguirá disponível até 21 de setembro.

Ou seja: a porta está aberta.

O curioso é que, pelo menos nas conversas que chegam a esta prosa, o assunto ainda não parece ter encontrado cadeira cativa no Bar América. Na fila da Padaria Point, dá tempo de falar do preço das coisas, do trânsito e daquele serviço público que está demorando. Na pracinha, então, cabe quase um secretariado inteiro de opiniões.

Mas alguém ouviu por aí a pergunta: “Você já deu sua sugestão para o orçamento de 2027?”

Pois deveria.

Porque, quando 2027 chegar, aquele buraco poderá continuar na frente da sua casa. A pavimentação poderá chegar — ou não — ao acesso da comunidade. Saúde, educação, estradas, iluminação, esporte e tantos outros serviços continuarão disputando espaço dentro do mesmo bolso municipal.

E, neste momento, existe uma oportunidade oficial para o cidadão meter a colher nessa conversa.

🎪 Vamos à festa

Para tirar a LOA 2027 do economês, imagine que Marechal Floriano vai organizar uma grande festa comunitária.

Antes de comprar o primeiro saco de gelo, alguém precisa decidir que festa será essa. Qual é o objetivo? O que é prioridade? Que caminhos serão seguidos? Quanto cabe no bolso?

Essa parte lembra o papel da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO. Ela estabelece as diretrizes e prioridades que vão orientar a elaboração do orçamento.

Só que diretriz não compra refrigerante.

Chega, então, a hora da planilha da festa.

Quanto haverá para gastar? Quanto vai para comida? Quanto para som? Quanto para estrutura? De onde virá o dinheiro? O que será possível fazer com aquilo que existe?

Na administração pública, guardadas as diferenças técnicas, é aí que entra a Lei Orçamentária Anual, a LOA.

É nela que as receitas e despesas previstas ganham endereço. Em outras palavras, a conversa começa a sair do “seria bom fazer” e entra no terreno do quanto existe, quanto poderá ser gasto e onde esse dinheiro poderá ser aplicado.

A festa ganhou planilha.

E adivinhe quem ajuda a pagar a festa?

Nós.

📢 Chamaram o cidadão

Pela publicação oficial da Prefeitura de Marechal Floriano, a consulta pública foi aberta em 11 de setembro e ficará até 21 de setembro.

São 11 dias corridos, contando as duas pontas do calendário e, nesse tempo, os moradores podem encaminhar sugestões para ajudar na definição de ações e prioridades do município para o ano que vem.

A participação ocorre pela internet. O cidadão preenche seus dados, escolhe a área ou ação em que quer contribuir e registra sua sugestão.

A Prefeitura informa ainda que as propostas serão analisadas pela Administração Municipal e poderão ser consideradas na elaboração da LOA 2027.

Esse “poderão” merece atenção.

Participar não quer dizer que o pedido será atendido. Orçamento não é lista de presente de casamento. Existem receitas previstas, despesas obrigatórias, limites legais e prioridades que precisam caber na mesma conta. Depois não dá para acochambrar.

Além disso, há outro ponto importante no calendário: conforme registrado no Requerimento nº 130/2026, a proposta da LOA 2027 deverá ser encaminhada à Câmara Municipal até 30 de setembro de 2026.

Trocando em miúdos, a consulta termina em 21 de setembro e, poucos dias depois, a proposta precisa seguir para o Legislativo.

Porém, existe uma conta ainda mais simples:

se a opinião não for apresentada, ela nem chega à mesa da discussão.

⏰ Onze dias

Aqui cabe uma cutucada.

Uma consulta pública sobre um assunto tão importante, aberta entre 11 e 21 de setembro, tem uma janela bastante curta para chegar ao conhecimento da população, ser compreendida e receber participação.

Além disso, disponibilizar um formulário é uma etapa. Fazer com que a população saiba que ele existe e consiga utilizá-lo é outra.

Por isso, surgem perguntas legítimas sobre divulgação, acesso e participação popular.

Quantos moradores sabem que a consulta existe?

A informação alcançou as comunidades do interior?

Quem tem dificuldade de acesso à internet ou pouca familiaridade com ferramentas digitais sabe como participar?

Existem outras formas de contribuição para quem não consegue usar o formulário eletrônico?

Não temos, neste momento, respostas oficiais para essas perguntas. Portanto, não vamos inventá-las.

Também não sabemos quantas pessoas já participaram.

E justamente porque não temos esse número, não seria correto afirmar que a adesão é pequena.

Entretanto, há uma percepção que merece ser registrada: a LOA parece muito menos presente nas conversas cotidianas do que os problemas que ela ajuda a organizar dentro do orçamento municipal.

Talvez aí more a maior contradição dessa história.

A gente conversa sobre o buraco. Reclama da estrada. Cobra iluminação. Discute atendimento. Pede obra.

Mas orçamento?

Esse costuma chegar à mesa quando a conta já veio.

🗣️ Reclamar também exige participar

Agora vem a parte que talvez incomode um pouquinho.

Participação popular não é responsabilidade exclusiva da Prefeitura, da Câmara ou dos vereadores.

É nossa também.

Não adianta deixar a banda tocar, esperar desmontarem o palco e, no outro dia, reclamar que ninguém perguntou qual música a gente queria ouvir.

Se existe um instrumento oficial de participação, o cidadão precisa usá-lo.

Depois, naturalmente, precisa fiscalizar.

Precisa perguntar quantas sugestões foram recebidas, quais foram as prioridades apontadas, quais puderam ser incorporadas ao orçamento e quais ficaram de fora — e por quê.

A consulta termina em 21 de setembro, mas a pauta não termina junto com o formulário.

Depois disso, algumas perguntas merecem resposta pública: quantas pessoas participaram? Quantas sugestões foram apresentadas? Quais áreas receberam mais pedidos? Haverá divulgação dos resultados? Quantas propostas da população efetivamente aparecerão na LOA 2027?

Esses dados permitirão avaliar algo que hoje ainda não podemos medir: a adesão da população.

Além disso, poderão mostrar se a participação popular produziu algum efeito concreto ou ficou restrita ao preenchimento de um formulário eletrônico.

A Pauta Solta pretende voltar a essas perguntas depois do encerramento da consulta.

Porque participação sem prestação de contas vira convite para festa sem saber o que aconteceu com a arrecadação.

E você? Já participou da consulta da LOA 2027? O que colocaria como prioridade para Marechal Floriano no próximo ano? Conte nos comentários. A conversa também começa por aqui.

📌 DICA — Antes de reclamar da planilha

Antes de preencher, pense no problema que afeta sua rua, sua comunidade ou o município como um todo.

Em vez de escrever apenas “melhorar as estradas”, por exemplo, tente apontar com clareza qual é a necessidade e onde ela existe.

Se o problema é iluminação, diga onde. Se é pavimentação, indique o trecho. Se é saúde, explique a demanda. Quanto mais objetiva for a sugestão, mais fácil será entender o que o cidadão está pedindo.

Depois, guarde a informação sobre o que você sugeriu.

Quando a LOA 2027 chegar à Câmara, haverá uma pergunta simples para fazer:

aquilo que a população pediu apareceu na planilha da festa?

💭 Para pensar

Se queremos cobrar onde o dinheiro público foi parar amanhã, talvez seja uma boa ideia participar hoje da conversa sobre onde ele deve chegar.

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🔗 Leia também

A discussão sobre orçamento público já passou outras vezes pela mesa da Pauta Solta. No artigo LDO 2027: veto derrubado em Marechal Floriano, mostramos um capítulo anterior do planejamento das contas municipais.

Também vale lembrar a discussão sobre o auxílio-alimentação dos servidores de Marechal Floriano, outro exemplo concreto de como decisões orçamentárias deixam rapidamente a papelada e chegam à vida das pessoas.

E, quando o assunto é serviço público chegando à porta do cidadão, relembre Iluminação pública em Marechal Floriano: entre promessas e ruas.

📚 Referências

Prefeitura Municipal de Marechal Floriano — Consulta Pública para elaboração da LOA 2027, aberta de 11 a 21 de setembro de 2026: https://www.marechalfloriano.es.gov.br/prefeitura-de-marechal-floriano-abre-consulta-publica-para-receber-sugestoes-da-populacao-para-a-loa-2027/

Câmara Municipal de Marechal Floriano — SAPL — Requerimento nº 130/2026, de autoria do vereador Diogo da AMAR, apresentado em 2 de setembro de 2026: https://sapl.marechalfloriano.es.leg.br/materia/pesquisar-materia

Câmara Municipal de Marechal Floriano — 16ª Sessão Ordinária: propostas e demandas em destaque no Legislativo: https://www.marechalfloriano.es.leg.br/copy_of_transparencia/comunicacao-institucional/noticias-1/noticias-2026/16a-sessao-ordinaria-propostas-e-demandas-em-destaque-no-legislativo

https://www.marechalfloriano.es.leg.br/copy_of_transparencia/comunicacao-institucional/noticias-1/noticias-2026/16a-sessao-ordinaria-propostas-e-demandas-em-destaque-no-legislativo

✍️ Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista (MTB: 2593/ES), formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins, e fundador da Revista Digital Pauta Solta. Atua no jornalismo de análise e comportamento, produzindo conteúdos que conectam informação, cotidiano e contexto social, com linguagem acessível e abordagem crítica.

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