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Cassação do prefeito: TJES libera julgamento. Pode guardar a placa do PARE?


Por Adelar Dias Junior — jornalista (MTB 2593/ES)

Cassação do prefeito de Marechal Floriano volta à Câmara após decisão do TJES, com Juarez Xavier e vista do centro da cidade.
TJES libera retomada do processo de cassação do prefeito de Marechal Floriano. Foto da cidade: Adelar Dias Junior/Pauta Solta. Imagem de Juarez Xavier: reprodução/Instagram. Arte: Pauta Solta.


Juarez Xavier anuncia retomada do processo contra Lidiney Gobbi; depois de dez meses de idas e vindas, Marechal Floriano quer saber quando esse Pare e Siga termina

“Retomamos, portanto, o direito de efetivar esse julgamento, que deve acontecer na próxima semana.”

Pronto. Bastou o presidente da Câmara de Marechal Floriano, Juarez Xavier, aparecer em um vídeo publicado nas redes sociais, direto do Tribunal de Justiça, para a cassação do prefeito de Marechal Floriano, Lidiney Gobbi, voltar ao centro da roda.

E lá vamos nós outra vez.

Se essa conversa estivesse acontecendo ao redor da mesa de sinuca do Bar do Agostinho, provavelmente alguém já apoiaria o taco no chão e perguntaria:

— Mas agora vai?

Calma, freguesia. Nessa partida a bola já esteve perto da caçapa algumas vezes e voltou para o pano.

Na quinta-feira, 17 de setembro, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo derrubou, por unanimidade, a suspensão que desde fevereiro impedia a Câmara de realizar o julgamento político-administrativo. Portanto, depois de sete meses, levantaram novamente a placa do SIGA.

Quem pega a BR-262 sabe o que isso significa.

Pode andar.

Só não convém acelerar demais porque ninguém garante que não haverá outro PARE depois da curva.

⚖️ O que mudou

Antes que a conversa da mesa ao lado aumente o volume, é bom colocar as bolas nos lugares.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo não cassou Lidiney Gobbi. Também não decidiu que as acusações feitas contra o prefeito são verdadeiras.

Segundo A Gazeta, o Tribunal Pleno decidiu, por unanimidade, retirar os efeitos da liminar que desde fevereiro suspendia o julgamento.

Traduzindo do juridiquês para o idioma falado no balcão: a Câmara recuperou o direito de continuar a partida.

Quem decide sobre eventual cassação são os vereadores, dentro do processo político-administrativo e respeitado o direito de defesa.

Foi justamente isso que Juarez Xavier anunciou ao sair do julgamento, acrescentando que a expectativa é realizar a sessão na próxima semana.

Então, por enquanto, nada de manchete dizendo que prefeito foi cassado.

A bola ainda está na mesa.

🚧 Pare, siga…

Para entender como chegamos até aqui, não precisa abrir uma pós-graduação em Direito Administrativo. Basta imaginar um daqueles trechos da BR-262 em obras.

Em 5 de novembro de 2025, o plenário da Câmara recebeu, por 10 votos a zero, uma denúncia apresentada contra o prefeito. A própria Câmara Municipal informa que o documento havia sido protocolado dois dias antes.

A denúncia apontava possíveis infrações político-administrativas envolvendo, entre outros fatos, publicações no Portal de Licitações, alterações de datas e questões relacionadas à transparência administrativa.

Importante: eram — e continuam sendo — acusações submetidas a apuração e defesa.

A Comissão Processante começou a trabalhar.

Veio dezembro.

PARE.

Uma decisão judicial suspendeu o processo.

Chegou janeiro.

SIGA.

O TJES autorizou a retomada.

A Comissão concluiu os trabalhos e, em 3 de fevereiro, aprovou por unanimidade um relatório de 39 páginas recomendando a cassação. O julgamento foi marcado para 6 de fevereiro.

Agora vai?

PARE.

No próprio dia da sessão, outra decisão judicial suspendeu o julgamento.

Fevereiro virou março. Março virou abril. Depois maio, junho, julho, agosto… Sete meses depois, chegamos a 17 de setembro.

SIGA.

Se fosse a BR-262, a essa altura alguém já teria desligado o carro, puxado o freio de mão e ido perguntar ao rapaz da bandeirinha se dava tempo de tomar um café.

🏘️ E a cidade?

É aqui que a gente deixa a piada encostada no balcão.

Porque existe um prefeito tentando preservar o mandato. Existe uma Câmara exercendo sua atribuição fiscalizatória. Existe defesa. Existe denúncia. Existe Poder Judiciário controlando a legalidade do procedimento.

Mas também existe Marechal Floriano.

E talvez essa seja a personagem que menos aparece nessa história.

Em abril, a Pauta Solta já havia chamado atenção para isso em “Cassação do prefeito em Marechal Floriano em looping: quando a política trava e a cidade paga a conta”.

Passaram-se meses e a pergunta continua sentada na mesma cadeira.

Quanto custa uma administração viver permanentemente sob a possibilidade de mudança de comando?

Não estamos falando apenas de dinheiro. Estamos falando de ambiente administrativo, decisões, planejamento, relação entre Executivo e Legislativo, servidores, investimentos e capacidade de tocar a máquina pública sem que toda conversa comece com:

“E se…?”

Enquanto o processo vai do Legislativo ao Judiciário e do Judiciário ao Legislativo, o morador continua precisando de estrada, saúde, escola, limpeza, manutenção, obra e atendimento.

Buraco não espera desembargador, posto de saúde não vive de liminar e mato, pelo que consta, ainda não aprendeu a respeitar prazo processual.

⏰ Hora da caçapa

Por isso, a discussão da Pauta Solta não é sobre qual resultado deve sair da Câmara.

Não cabe ao jornal escolher quem deve permanecer ou sair da Prefeitura. Cabe cobrar que as instituições funcionem.

Se, depois do devido processo legal, os vereadores entenderem que não existem votos para cassação, o prefeito continua e administra.

Se houver a maioria legal necessária para cassá-lo, cumprem-se as regras e ocorre a sucessão prevista em lei.

O que Marechal Floriano não merece é transformar o provisório em endereço permanente. Porque governar esperando a próxima decisão judicial é parecido com dirigir quilômetros atrás de uma placa de PARE.

O motor continua ligado, a gasolina continua queimando, Mas ninguém chega a lugar nenhum.

📦 De olho na mesa

A decisão de 17 de setembro não representa cassação automática. O próximo passo é acompanhar a comunicação oficial da Câmara sobre a retomada do julgamento, a garantia do direito de defesa e a votação nominal dos vereadores.

Para haver cassação, são necessários dois terços dos integrantes da Câmara, conforme o rito aplicável do Decreto-Lei nº 201/1967. Portanto, desconfie daquele conhecido que chegar no WhatsApp dizendo que “já está tudo decidido”.

Não está.

Uma coisa é decisão do TJES. Outra é denúncia. Outra é relatório da Comissão Processante. E outra, completamente diferente, será o voto de cada vereador no julgamento.

Misturar tudo é ótimo para produzir fofoca.

Para produzir informação, nem tanto.

🎱 A última bola

De volta ao Bar do Agostinho, imagine a mesa de sinuca.

Depois de quase um ano, a cidade acompanha uma bola que anda, bate na tabela, volta, encosta em outra, para perto da caçapa e nunca termina a jogada.

Pois talvez tenha chegado a hora de concluir a partida.

Não importa, para esta reflexão, se a última bola terminar dentro ou fora da caçapa.

Importa que alguém termine a jogada dentro das regras.

Marechal Floriano precisa saber quem governa, com estabilidade para governar; quem fiscaliza, com liberdade para fiscalizar; e quem responde pelos próprios atos, com pleno direito de defesa.

Porque cidade nenhuma deveria passar mandato inteiro olhando para a placa para descobrir se pode andar.

💬 E você?

Essa indefinição política já aparece no cotidiano de Marechal Floriano? Você percebe reflexos nos serviços, nas obras ou no funcionamento da Prefeitura? Ou considera que o processo corre numa pista e a administração municipal em outra?

A mesa está aberta nos comentários.

Pode concordar. Pode discordar. Pode trazer informação.

Só não vale acertar o adversário com o taco.

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📚 Referências

Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) — informações institucionais e tramitação judicial:
https://www.tjes.jus.br/

Câmara Municipal de Marechal Floriano — Comissão Processante e documentos oficiais:
https://www.marechalfloriano.es.leg.br/processo-legislativo/comissao-processante

A Gazeta — “Tribunal autoriza volta de processo que pode cassar prefeito no ES”, publicada em 17 de setembro de 2026:
https://www.agazeta.com.br/es/politica/tribunal-autoriza-volta-de-processo-que-pode-cassar-prefeito-no-es-0926

Juarez Xavier — manifestação publicada após o julgamento no TJES:
https://www.instagram.com/reels/DdZmhbSpVcb/

Revista Pauta Solta — “Cassação do prefeito em Marechal Floriano em looping: quando a política trava e a cidade paga a conta”:
https://pautasolta.com/cassacao-prefeito-marechal-floriano-looping-politico/

✍️ Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista (MTB: 2593/ES), formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins e fundador da Revista Digital Pauta Solta. Atua no jornalismo de análise e comportamento, produzindo conteúdos que conectam informação, cotidiano e contexto social, com linguagem acessível e abordagem crítica.

Página do autor: https://pautasolta.com/adelar-dias-junior/

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