🤖🗳️ IA nas eleições, deepfakes e fadiga digital: quando a verdade entra em campanha e a nossa cabeça pede arrego
Por Adelar Dias Junior – Jornalista (MTB 2593/ES)

📸 Foto de Adelar Dias Junior
🎨 Arte produzida com apoio de Inteligência Artificial a partir de fotografia autoral
Entre a inteligência artificial e o cansaço digital: quem está manipulando quem?
Você já recebeu um vídeo tão convincente que parecia impossível ser falso? Ou uma notícia tão absurda que, de tão absurda, parecia verdadeira? Pois é. A combinação entre inteligência artificial nas eleições, deepfakes, redes sociais e excesso de informação está criando um cenário em que descobrir a verdade virou quase um segundo emprego.
E o problema não é apenas tecnológico. É humano.
Enquanto a internet corre a 200 km por hora, nosso cérebro continua andando na velocidade de quem para para tomar um café e conversar na varanda. O resultado é uma crescente fadiga digital, uma espécie de cansaço mental provocado pelo excesso de conteúdo, opiniões, vídeos, áudios, influencers, especialistas de ocasião e, agora, pela inteligência artificial produzindo material em escala industrial.
A pergunta que fica é simples: se está cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro, quem ganha com isso?
🎭 Deepfake, machine learning, deep learning… parece nome de banda, mas o assunto é sério
Vamos combinar uma coisa?
Tem horas que parece que inventam mais palavras para explicar a tecnologia do que para facilitar a vida de quem usa.
Machine Learning. Deep Learning. Inteligência Generativa. Redes Neurais. Algoritmos Preditivos.
Enquanto isso, boa parte dos brasileiros só quer saber se aquele vídeo que recebeu no WhatsApp é verdadeiro ou se alguém está tentando passar conversa.
O termo mais conhecido atualmente é o deepfake, uma tecnologia capaz de criar vídeos, fotos e áudios falsos com um nível impressionante de realismo.
O nome vem da união entre “deep learning” e “fake”. Em português claro: uma tecnologia capaz de colocar palavras na boca de alguém que nunca foram ditas, criar situações que nunca aconteceram e até clonar vozes com precisão assustadora.
O que antes exigia equipes especializadas e computadores poderosos, hoje pode ser feito por qualquer pessoa usando aplicativos disponíveis na internet.
E aí mora parte do problema.
📱 A eleição de 2026 pode ser a mais tecnológica da história
Não é exagero.
O Tribunal Superior Eleitoral já estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais. O motivo é simples: a preocupação com desinformação nunca foi tão grande.
A velocidade das redes sociais já era um desafio. Agora imagine essa velocidade combinada com ferramentas capazes de produzir milhares de imagens, vídeos e mensagens em poucos minutos.
O risco não está apenas na mentira.
O risco está no volume.
Antigamente alguém precisava fabricar uma notícia falsa. Hoje é possível fabricar cem antes do almoço.
Enquanto uma informação verdadeira leva tempo para ser confirmada, uma mentira bem produzida costuma viajar mais rápido que a verdade.
E convenhamos: quando chega a correção, muita gente já compartilhou, discutiu, brigou e até formou opinião.
😵 Quando o excesso de informação vira fadiga digital
Existe um ditado popular que diz que “o que é demais acaba estragando”.
A internet parece estar testando essa teoria todos os dias.
Vídeos curtos, lives, podcasts, stories, reels, cortes, comentários, análises, reações às análises e análises das reações.
Em algum momento, o cérebro simplesmente pede licença para sair da reunião.
É justamente aí que surge a chamada fadiga digital.
A pessoa não consegue acompanhar tudo.
Não consegue verificar tudo.
Não consegue analisar tudo.
E, pior ainda, começa a não confiar em mais nada.
A dúvida permanente se transforma em cansaço.
O excesso de conteúdo gera ansiedade.
A ansiedade reduz a capacidade de análise.
E a redução da análise facilita a manipulação.
É um círculo nada virtuoso.
🎙️ Influencers, pseudojornalistas e a corrida pelos cliques
Outro fenômeno que merece reflexão é o surgimento de comunicadores digitais que atuam como se fossem jornalistas, embora não sejam.
Importante deixar algo claro: existem excelentes produtores de conteúdo na internet.
Muitos fazem trabalhos sérios, responsáveis e relevantes.
O problema está em quem transforma opinião em fato.
Ou pior: quem transforma boato em negócio.
O jornalismo profissional possui métodos, critérios, responsabilidade legal e um código de ética.
Já boa parte do conteúdo produzido apenas para monetização tem uma regra muito mais simples:
Gerar cliques.
Se a verdade ajuda, ótimo.
Se a polêmica ajuda mais, melhor ainda.
Nesse ambiente, a inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta poderosa para ampliar tanto conteúdos úteis quanto conteúdos enganosos.
A ferramenta não é boa nem má.
Tudo depende da mão que segura o martelo.
🚦A internet não é a vilã. A IA também não.
Seria injusto transformar a inteligência artificial em bode expiatório.
A IA já ajuda médicos, pesquisadores, professores, empresas e até jornalistas.
Ela pode acelerar pesquisas, organizar dados e ampliar o acesso à informação.
As redes sociais também aproximam pessoas, divulgam conhecimento e democratizam a comunicação.
O problema não está na ferramenta.
Está no uso que fazemos dela.
Uma faca pode preparar o jantar ou causar um acidente.
A diferença está em quem a utiliza.
Com a inteligência artificial acontece exatamente a mesma coisa.
📌 Box Pauta Solta: Como evitar cair em armadilhas digitais?
Antes de compartilhar qualquer conteúdo:
Desconfie de informações extremamente emocionais.
Verifique se há fonte identificada.
Procure confirmação em veículos jornalísticos reconhecidos.
Desconfie de vídeos perfeitos demais.
Leia além do título.
Evite compartilhar imediatamente.
Dê alguns minutos para a razão alcançar a emoção.
💬 A melhor regulamentação continua sendo você
Governos, tribunais, empresas de tecnologia e organizações internacionais discutem diariamente formas de regulamentar a internet e a inteligência artificial.
Esse debate é importante.
Entretanto, existe uma verdade que continua valendo.
Nenhuma regulamentação será tão eficiente quanto um usuário consciente.
O senso crítico continua sendo a melhor ferramenta disponível.
A boa notícia é que ele não depende de aplicativo, assinatura premium ou atualização de software.
Depende apenas do hábito de pensar antes de clicar.
Porque, no fim das contas, a tecnologia pode evoluir o quanto quiser.
Mas a responsabilidade de separar informação de manipulação continuará sendo humana.
E talvez essa seja a inteligência mais importante de todas.
Continue a conversa
Você já recebeu algum vídeo, áudio ou imagem que depois descobriu ser falso?
Acredita que a inteligência artificial pode influenciar as eleições de 2026?
A fadiga digital já faz parte da sua rotina?
Conte sua experiência nos comentários. A conversa começa aqui.
Leitura complementar na Revista Pauta Solta
Crescimento da Revista Digital Pauta Solta: https://pautasolta.com/crescimento-revista-digital-pauta-solta/
STF, Moraes e a guerra das narrativas: https://pautasolta.com/stf-moraes-eua-guerra-das-narrativas-2026/
Como escolher boas músicas em tempos de algoritmos: https://pautasolta.com/como-escolher-boas-musicas/
Fontes consultadas
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
https://www.tse.jus.br
Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br
Senado Federal
https://www12.senado.leg.br
Hospital Israelita Albert Einstein
https://www.einstein.br
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
https://radis.ensp.fiocruz.br
Sobre o autor
Adelar Dias Junior é jornalista (MTB: 2593/ES), formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins, fundador da Revista Digital Pauta Solta, com atuação voltada ao jornalismo de análise e comportamento, produzindo conteúdos que conectam informação, cotidiano e contexto social, com linguagem acessível e abordagem crítica.
