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Marechal Floriano trocou de prefeito. Terá sido o último capítulo?

Por Adelar Dias Junior — jornalista (MTB 2593/ES)

Montagem com fotos da Panificadora Pão Dourado e da Prefeitura de Marechal Floriano, destacando a mudança no comando do município após a cassação de Lidiney Gobbi e a posse de Júnior Lovatti.
Da Pão Dourado à Prefeitura: Marechal Floriano viveu, em poucas horas, a cassação de Lidiney Gobbi e a posse de Júnior Lovatti. Fotos: Adelar Dias Junior / Revista Pauta Solta.


Lidiney começou a sexta-feira prefeito. Júnior Lovatti terminou o dia no cargo. Depois de meses de processo, liminares e recursos, a cadeira mudou de ocupante. Agora, mais importante que olhar para trás é saber como a cidade seguirá daqui para frente.

Sexta-feira, 25 de setembro de 2026.

Essa foi uma sexta-feira para não esquecer.

Quem tomou o primeiro café na Panificadora Pão Dourado, da Dona Ana, saiu de lá com Antônio Lidiney Gobbi prefeito de Marechal Floriano.

Na hora do café da tarde, a conversa já era outra.

O prefeito também.

No intervalo entre uma xícara e outra, a Câmara julgou Lidiney, cassou seu mandato e, horas depois, Paulo Lovatti Júnior tomou posse.

Nem deu tempo de o café esfriar.

Depois de meses de denúncia, Comissão Processante, liminar, recurso e papel suficiente para embrulhar muito pão francês, aconteceu o que até então só existia como possibilidade:

Marechal Floriano mudou de prefeito.

Se este foi o último capítulo da disputa, o tempo e os tribunais dirão.

Para a cidade, porém, a pergunta mais importante a partir de agora é outra:

o que muda na vida real?

☕ Da Pão Dourado à Câmara

A Pão Dourado fica pertinho da Câmara.

Enquanto Dona Ana servia café, pão na chapa e aquele bom-dia de quem acordou antes do sol, a poucos passos dali os 11 vereadores tinham coisa bem mais indigesta sobre a mesa.

O mandato do prefeito.

Cidade pequena tem dessas coisas.

A notícia não precisa pegar estrada. Às vezes atravessa a rua.

A história começou oficialmente em novembro de 2025, com uma denúncia envolvendo principalmente a publicidade de licitações da Prefeitura.

Entre as situações investigadas estavam publicações que teriam desaparecido da relação mais recente do portal e retornado com datas alteradas.

Apareceram anos como 2000, 1980 e até 1972.

Pasmem: 1972.

Marechal Floriano nem município era. Mais um pouco e a publicação saía no mimeógrafo.

A defesa sustentou a existência de erros técnicos e negou participação direta de Lidiney nas alterações.

Vieram Comissão Processante, testemunhas, documentos, relatório, Justiça, suspensão e recursos.

Em abril, a Pauta Solta chamou aquilo de looping político.

Em setembro, depois que o Tribunal de Justiça liberou a continuidade do julgamento, perguntamos se já dava para guardar a placa do PARE.

Nesta sexta-feira, a resposta veio.

Lidiney compareceu à Câmara, apresentou sua defesa, falou de seus mais de 30 anos no serviço público e declarou:

“Em 64 anos de idade, nunca me envolvi com roubo.”

Depois de mais de cinco horas de sessão, chegou a hora em que não adianta assobiar olhando para o teto.

Tem que votar.

As três infrações político-administrativas levadas ao plenário foram consideradas procedentes.

11 a 0 nas três.

Quando o placar é desse tamanho, não precisa chamar o contador.

O mandato estava cassado.

🪑 A chave mudou de mão

Horas depois, Paulo Lovatti Júnior tomou posse.

E aqui termina a retrospectiva.

Porque continuar requentando cassação, liminar e recurso é deixar o café velho na garrafa quando já tem água nova no fogo.

A Prefeitura agora está sob novo comando.

Júnior conhece a política de Marechal Floriano. Foi vereador três vezes, já ocupou a Vice-Prefeitura e foi eleito vice na chapa de Lidiney em 2024.

Mas nunca recebeu exatamente esta Prefeitura.

E ninguém recebe uma administração no meio do mandato embrulhada para presente.

A chave vem acompanhada de contratos assinados, obras começadas, licitações andando, orçamento comprometido, servidores, fornecedores, secretarias e decisões que já estavam sobre a mesa antes da posse.

Não dá para zerar o velocímetro.

A cidade já estava andando.

🏘️ Para quem mora aqui

É aí que a mudança de prefeito deixa de ser assunto apenas de político, advogado e jornalista.

Para quem está esperando consulta, pouco importa qual nome está escrito na porta se o atendimento não chega.

Para o pai que manda o filho para a escola, a pergunta é se a escola funciona. Para o produtor, interessa estrada. Para o comerciante, uma cidade funcionando. Para o servidor, salário, condições de trabalho e decisões claras. Para quem fornece à Prefeitura, contrato e pagamento. Para quem paga imposto, saber onde o dinheiro está sendo colocado.

No fim das contas, é nessa ponta que se mede uma troca de governo.

Não no tamanho do discurso.

No tamanho da entrega.

🧾 A mesa já está posta

E Júnior não começa com uma folha em branco.

Há assuntos esperando na mesa.

A LOA de 2027 está no calendário e vai definir onde o município pretende colocar dinheiro no próximo ano. Os servidores vêm de discussões sobre revisão geral anual e auxílio-alimentação.

Há obras em andamento e outras esperadas. Há contratos e licitações que precisam continuar sendo acompanhados.

E existe uma questão que ganhou peso especial depois de tudo o que aconteceu:

transparência.

O processo que terminou na cassação nasceu justamente de questionamentos envolvendo publicações e procedimentos administrativos.

Não cabe adivinhar o que o novo prefeito fará.

Cabe observar.

Portal funcionando, data correta, documento disponível, licitação que o cidadão consiga acompanhar, resposta quando houver pergunta, Prestação de contas.

Nada disso é favor.

É o feijão com arroz da administração pública.

E, depois de tanta discussão sobre a cozinha, seria bom encontrar o feijão no prato.

🔑 Mudou o comando

Também não é necessário tirar a bola de cristal da gaveta para perceber que uma troca de prefeito no meio do mandato produz perguntas.

Haverá mudanças no secretariado? As prioridades serão mantidas? Projetos em andamento continuarão? Qual será o ritmo da relação entre Executivo e Câmara?

Não sabemos.

E seria chute fingir que sabemos.

As respostas começarão a aparecer nos atos do novo prefeito.

Nomeações, exonerações, projetos enviados à Câmara, execução do orçamento, obras, contratos, atendimento.

É por aí que se acompanha um governo.

O resto, por enquanto, é conversa de balcão. E conversa de balcão é boa. Só não pode virar documento oficial.

🎬 E o tal último capítulo?

Lidiney informou que pretende recorrer da cassação.

Pode haver novidade judicial?

Pode.

Quando houver, será notícia. Mas não precisamos deixar Marechal Floriano sentado na sala de espera olhando para a porta do tribunal.

Hoje a Prefeitura tem prefeito.

Júnior Lovatti tomou posse e recebeu a chave.

Daqui para frente, enquanto não existir fato novo que diga o contrário, é sobre essa administração que deve cair a lupa.

Talvez seja essa a principal mudança para a população.

Depois de meses perguntando “quem vai governar?”, finalmente podemos voltar a perguntar:

“como está sendo governado?”

💭 Para pensar

Marechal Floriano passou tempo demais olhando para processo, liminar, recurso e julgamento. Tudo isso precisava ser acompanhado.

E foi.

Agora a cadeira tem novo ocupante.

Então talvez seja hora de puxar o tamborete para outra conversa.

Como está a saúde? E a educação? As obras? As estradas? O dinheiro público? Os servidores? O atendimento? O orçamento de 2027?

A Pauta Solta continuará olhando para eventual capítulo judicial, se ele aparecer.

Mas a vida da cidade não cabe dentro de um processo.

Segunda-feira chega, a porta da Prefeitura abre, o posto atende, a escola recebe aluno, o comércio levanta a porta, o produtor pega a estrada e o boleto, esse danado, nunca pergunta quem é o prefeito.

A cadeira mudou de ocupante.

Agora interessa saber o que será feito sentado nela.

Porque prefeito vai, prefeito vem, e quem fica para pagar o café — e a conta — é a cidade.

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📚 Referências

Câmara Municipal de Marechal Floriano — documentos e informações oficiais da Comissão Processante e do Processo Administrativo nº 1971/2025.

Câmara Municipal de Marechal Floriano — relatório final da Comissão Processante e informações sobre o encaminhamento do processo para julgamento pelo plenário.

Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Marechal Floriano, realizada em 25 de setembro de 2026 — julgamento do processo político-administrativo envolvendo o então prefeito Antônio Lidiney Gobbi.

Sessão de posse de Paulo Lovatti Júnior, Câmara Municipal de Marechal Floriano, 25 de setembro de 2026.

Século Diário — Prefeito de Marechal Floriano tem mandato cassado pela Câmara, 25 de setembro de 2026.

Montanhas Capixabas — cobertura do julgamento, da cassação e da posse de Paulo Lovatti Júnior.

Folha Vitória — cobertura da cassação e informação sobre a intenção de Antônio Lidiney Gobbi de recorrer da decisão.

A Gazeta — cobertura da mudança no comando da Prefeitura de Marechal Floriano.

Revista Pauta Solta — cobertura anterior do processo político-administrativo, das decisões judiciais e da retomada do julgamento.

✍️ Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista (MTB/DRT 2593/ES), formado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e fundador e editor da Revista Digital Pauta Solta. No jornalismo, prefere trocar o juridiquês, o economês e o politiquês por uma boa conversa — daquelas em que informação, contexto e cotidiano cabem na mesma mesa.

Página do autor:
https://pautasolta.com/adelar-dias-junior/

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