Pauta do Dia a DiaPauta SaudávelRecentesSolta o Corpo

O Brasileirão voltou. E talvez ele movimente muito mais do que a tabela.

✍️ Por Adelar Dias Junior | Jornalista – MTB 2593/ES

Arte de capa do artigo mostra uma televisão exibindo uma partida do Campeonato Brasileiro, ao lado do título "O Brasileirão voltou. E talvez ele movimente muito mais do que a tabela." em um fundo claro e minimalista, destacando a ideia de que o futebol também promove convivência e encontros.
O Brasileirão está de volta e, junto com ele, voltam as resenhas, os encontros e as boas conversas. Foto: Adelar Dias Junior | Arte: Revista Pauta Solta.

A Copa acabou para o Brasil. Mas bastou o Campeonato Brasileiro voltar para o futebol retomar o lugar de sempre na conversa dos brasileiros.

Você também falou que nunca mais assistiria futebol depois da eliminação da Seleção?

Mentiu.

Eu sabia.

O brasileiro pode até desistir da academia, da dieta, da promessa de Ano-Novo… mas abandonar o futebol? Nem ele acredita nisso.

Bastou o Brasileirão recomeçar para a vida voltar ao normal. O Botafogo venceu o Santos. O Santos jogou sem Neymar. O Vasco trocou de técnico, mas perdeu para o Vitória. O Bahia venceu a Chapecoense, o Mirassol bateu o Grêmio e o Fluminense arrancou um empate com o Bragantino, no sufoco de sempre. Enquanto isso, eu sigo esperando meu Cruzeiro entrar em campo contra o Internacional.

Torcedor é um sujeito curioso. Todo ano acredita que “agora vai”. E, quando não vai, culpa o técnico, o árbitro, o gramado, a diretoria, a CBF… qualquer um, menos a própria esperança.

Foi só a bola rolar para o grupo de WhatsApp acordar.

O flamenguista reapareceu, o corintiano explicou como resolveria o time em quinze minutos e o palmeirense reclamou porque ganhou, mas “não convenceu”.

Já o vascaíno…

Esse garantiu que só faltou um detalhe…

O gol.

E o botafoguense…

Bom…

Esse já aprendeu, a duras penas, que prudência e boca de siri nunca fizeram mal a ninguém.

Enquanto isso, reapareceu também aquele cidadão que nunca treinou nem o time da firma, mas sabe exatamente onde o treinador errou, quem deveria entrar, quem deveria sair e por que a diretoria deveria pedir desculpas à torcida antes mesmo da segunda rodada.

É impressionante.

Bastaram noventa minutos para o brasileiro voltar a ser técnico, comentarista, dirigente… e feliz.

Foi aí que me peguei pensando.

Será que a gente gosta tanto assim de futebol? Ou será que gosta de tudo aquilo que acontece por causa dele?

⚽ Talvez não seja só o jogo.

A zoação também faz parte dessa história.

Aliás, sempre fez.

Hoje um ganha, amanhã o outro dá o troco. O importante é que tudo termine como deve terminar: com risadas, respeito e a promessa de uma revanche na próxima rodada.

Porque a graça nunca esteve em transformar o adversário em inimigo.

Sempre esteve em descobrir que é possível torcer por camisas diferentes e, ainda assim, continuar dividindo a mesma mesa.

Quanto mais penso nisso, mais chego à conclusão de que talvez a melhor parte do futebol nunca tenha sido o futebol.

Quantos churrascos já nasceram porque “hoje tem jogo”? Quantas pizzas foram divididas na frente da televisão? Quantos amigos se encontraram depois de semanas sem conseguir marcar um horário? Quantas famílias aproveitaram uma partida para simplesmente ficar juntas?

Quando o juiz encerra a partida, quase sempre ninguém vai embora imediatamente.

Porque o jogo termina, mas a resenha não.

É curioso como um simples convite — “Vai assistir onde?” — ainda consegue fazer o que tanta tecnologia não consegue: reunir pessoas.

E isso vale mais do que três pontos na tabela.

❤️ Tem placar que não aparece.

Enquanto a bola rola, bares enchem, pizzarias trabalham mais, o churrasco reúne amigos e a semana ganha uma pausa.

Nem todo mundo presta atenção nos noventa minutos.

Mas quase todo mundo aproveita as horas que eles proporcionam.

Em tempos de tanta correria, qualquer oportunidade para rir, conversar, encontrar quem a gente gosta e esquecer um pouco dos problemas acaba fazendo bem. Faz bem para a cabeça, para as relações e, de certa forma, para a saúde também.

Talvez seja esse o verdadeiro placar que quase nunca aparece na transmissão.

No fim das contas, o Campeonato Brasileiro voltou, sim.

Mas talvez o mais importante não seja descobrir quem vai levantar a taça.

Seja lembrar que ainda existem boas desculpas para dividir a mesma mesa.

E isso…

nenhuma tabela consegue medir.

📌 Pauta Solta | Para pensar

Talvez a maior vitória do futebol não esteja na tabela de classificação.

Esteja nas conversas que ele provoca, nas amizades que mantém vivas, nas famílias que se reúnem e nas boas risadas que lembram que é possível discordar, provocar e torcer por camisas diferentes sem perder o respeito.

Em tempos de tanta divisão, talvez esse seja um campeonato que vale a pena disputar.


📚 Leia também

Brasil eliminado da Copa do Mundo: o futebol acabou… até começar o Brasileirão de novo

🏞️ O melhor do turismo nas Montanhas Capixabas não cabe numa fotografia. Vive-se.

Café com Empresários: quando boas conversas também geram oportunidades


✍️ Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista (MTB 2593/ES), fundador e editor da Revista Pauta Solta.

Mineiro de nascimento e capixaba de coração, acredita que as melhores histórias surgem nas conversas do dia a dia. Escreve sobre comportamento, política, economia, turismo e os acontecimentos que movimentam as Montanhas Capixabas e o Espírito Santo, sempre com uma linguagem leve, próxima do leitor e inspirada nas boas conversas de mesa de café.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *