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Câmara de Marechal Floriano barra empréstimo de R$ 30 milhões. O que ficou na mesa.

Por Adelar Dias Junior – Jornalista | MTB 2593/ES

Imagem principal da Revista Pauta Solta mostra seis vereadores de Marechal Floriano reunidos em torno de uma mesa durante a discussão sobre o projeto de empréstimo de R$ 30 milhões. À esquerda, em destaque, o título: "Câmara de Marechal Floriano barra empréstimo de R$ 30 milhões. O que ficou na mesa." A composição é clean, com fundo claro e o endereço www.pautasolta.com centralizado na parte inferior.
R$ 30 milhões. Um projeto arquivado. Muitas perguntas ainda sobre a mesa.
📷 Foto: Reprodução/Instagram @juarez_xaviervereador
🎨 Arte: Revista Pauta Solta

Muito além da aprovação ou rejeição de um empréstimo, a discussão revela um desafio que acompanha todas as cidades: como equilibrar desenvolvimento, planejamento, transparência e responsabilidade na gestão do dinheiro público.

Você viu?

A Câmara Municipal de Marechal Floriano arquivou o projeto que autorizaria o Executivo a contratar um empréstimo de até R$ 30 milhões.

Depois da votação, o presidente da Câmara, vereador Juarez Xavier, explicou em uma postagem no Instagram que ele e os vereadores Diogo da Amar, Martim Trarbach, Cabral, Vaninho Stein e Pastor Adriano decidiram barrar a proposta porque, segundo eles, o projeto não deixava claro onde os recursos seriam investidos. Na publicação, resumiram o motivo em uma expressão que rapidamente ganhou força na cidade: “não poderíamos dar um cheque em branco”.

Pois é…

E, como quase sempre acontece, antes mesmo do café esfriar o assunto já dividia opiniões no Bar América, que desde 1956 acompanha, de balcão em balcão, praticamente todas as grandes conversas da cidade. Em menos tempo do que leva para adoçar um cafezinho, já tinha especialista em finanças públicas, engenheiro de obras, advogado constitucional e estrategista político. Tudo de ouvido, claro.

De um lado, quem dizia que a Câmara travou o desenvolvimento. Do outro, quem garantia que evitou um erro. E, como toda boa conversa de cidade pequena, bastaram alguns minutos para aparecer quem tinha certeza absoluta… sem precisar perder tempo lendo o projeto.

Mas, cá entre nós, acho que essa conversa merece um café um pouco mais demorado.

Porque, dependendo da forma como a gente olha, talvez o empréstimo seja apenas a notícia.

O assunto de verdade pode ser outro.

🎯 O dinheiro saiu do palco.

Depois da votação, a justificativa apresentada pelos vereadores foi bastante clara. Em nenhum momento disseram que Marechal Floriano não precisa investir. A preocupação estava em outro ponto: segundo eles, o projeto não deixava clara a destinação dos recursos. A expressão “cheque em branco” acabou resumindo toda a discussão.

Concordar ou discordar dessa posição faz parte do debate político. Mas tem um detalhe que muita gente deixou passar. Os R$ 30 milhões saíram do centro da conversa. O dinheiro deixou de ser o assunto. Quem entrou na mesa foi o planejamento. E, convenhamos, quando um projeto desse tamanho levanta mais perguntas do que respostas, a discussão naturalmente muda de endereço.

Às vezes a gente coloca desenvolvimento de um lado e transparência do outro, como se uma atrapalhasse a outra. Não atrapalha. Aliás, quando uma tenta andar sem a outra, normalmente é aí que a conta chega. E conta de gestão pública tem um defeito: quase nunca vence para quem assinou. Vence para quem mora na cidade.

Uma cidade cresce quando consegue investir. Mas cresce muito melhor quando existe clareza, previsibilidade, confiança e planejamento.

Transparência não atrasa obra. Atrasa, isso sim, a velha desculpa de que “depois a gente explica”. Ela reduz dúvidas, evita desconfianças e impede que o debate saia do projeto para entrar no terreno da suspeita.

No fim das contas, desenvolvimento e transparência não disputam espaço.

Caminham na mesma calçada.

🚧 Quem paga essa conta?

Quem acorda cedo para trabalhar dificilmente passa o dia pensando em parecer jurídico ou sessão extraordinária. Está pensando na estrada que precisa melhorar, na consulta que demora, na água que precisa chegar, na iluminação daquela comunidade e naquela obra que insiste em continuar só na placa.

É assim que a população mede a política.

Pelo resultado.

Mas também vale uma cutucada.

A gente costuma chegar quando o jogo já terminou.

Depois que tudo acaba, reclamar vira esporte municipal.

Antes disso, quantos de nós acompanhamos um projeto, participamos de uma audiência pública ou sequer procuramos entender o que estava sendo votado?

Convenhamos…

Arquibancada é ótima para assistir futebol.

Para construir cidade, nem tanto.

E quando a sociedade troca participação por omissão, acaba entregando para poucos decisões que depois vão afetar a vida de todos. Aí não adianta dizer que “política não tem nada a ver comigo”. Tem. Sempre teve. A diferença é que, quando a gente abre mão de participar, alguém participa no nosso lugar.

🧐 A pergunta que ficou na mesa

Projeto de R$ 30 milhões não costuma nascer da noite para o dia.

Ou, pelo menos, não deveria.

Normalmente existe planejamento, definição de prioridades, estudos, estimativas e uma sequência de decisões que leva até a elaboração de um projeto dessa importância.

Então deixa eu dividir uma dúvida com você.

Se esse planejamento já existia, por que ele não apareceu de forma suficientemente clara no projeto encaminhado à Câmara?

E, se ainda estava sendo construído, será que não seria mais prudente concluí-lo antes de pedir autorização para contratar uma dívida dessa magnitude?

Porque, convenhamos, um projeto de R$ 30 milhões normalmente não cabe numa folha de papel. Costuma ocupar algumas boas pastas, muitas reuniões e um bom tempo de planejamento.

Ou pelo menos deveria.

Não é acusação. e tampouco é conclusão.

É apenas uma pergunta.

Daquelas que continuam andando com a gente mesmo depois que a conversa termina.

🏙️ O futuro começa antes da próxima votação.

Talvez essa tenha sido a maior reflexão deixada pelos R$ 30 milhões.

Marechal Floriano precisa continuar investindo. A cidade cresceu, o turismo ganhou força, novos empreendimentos chegaram e, junto com eles, cresceram também as demandas por infraestrutura, saúde, mobilidade e serviços públicos. Isso praticamente ninguém discute.

Percebe?

A pergunta nunca foi se deveria investir e na verdade sempre foi outra.

Como fazer isso da melhor forma?

Talvez esteja justamente aí sua maior contribuição. Desenvolvimento e transparência nunca foram adversários. Pelo contrário. Um fortalece o outro. Investir exige coragem. Explicar como será investido exige responsabilidade.

Só que tem um detalhe.

Quando uma coisa anda sem a outra, a conta chega e conta de gestão pública quase nunca vence para quem assinou.

Vence para quem mora na cidade.

No fim das contas…

Quem espera a estrada recuperada, a consulta médica, a água chegando com qualidade, a iluminação da comunidade ou novas oportunidades de desenvolvimento não está preocupado com quem venceu uma sessão da Câmara.

Quer saber quando o resultado chega.

Convenhamos…

É muito fácil aparecer quando a votação termina, difícil é acompanhar antes, entender durante e continuar cobrando depois. Porque cidade boa não nasce apenas de bons governantes, também nasce de bons cidadãos.

📌 Pauta Solta | Para pensar

  • Desenvolvimento não é adversário da transparência. Um fortalece o outro.
  • Todo investimento público precisa de planejamento, clareza e capacidade de convencimento.
  • A participação da população começa antes da votação, não depois dela.
  • Quando a política vira apenas torcida, quem costuma perder é a própria cidade.
  • O debate sobre os R$ 30 milhões pode terminar. A discussão sobre o futuro de Marechal Floriano está apenas começando.

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✍️ Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista (MTB 2593/ES), fundador e editor da Revista Digital Pauta Solta. Atua na cobertura de temas ligados ao desenvolvimento regional, gestão pública, turismo, economia e cidadania, sempre buscando transformar fatos do cotidiano em reflexões que aproximem a informação da vida das pessoas.

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