Pauta do Dia a DiaRecentesSolta o Corpo

⚽ Copa 2026: o hexa ficou para depois. A segunda-feira, não.

Por Adelar Dias JuniorJornalista | MTB/DRT 2593/ES

Brasil enfrenta a Noruega em lance da Copa do Mundo de 2026. A capa do artigo traz jogadores das duas seleções em ação e destaca a eliminação brasileira com o título "O hexa ficou para depois. A segunda-feira, não."
Acabou o jogo. A vida pediu a bola de volta.
Montagem editorial: Pauta Solta | Fotos: Nelson Terme/CBF e Rafael Ribeiro/CBF.

Brasil perde para a Noruega por 2 a 1, é eliminado da Copa do Mundo de 2026 e encerra um daqueles raros períodos em que o país inteiro parecia viver no horário da Seleção. Agora a resenha continua… mas a rotina voltou.

Você também acordou hoje com gosto de chapéu velho na boca?

A derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega, na noite de domingo, colocou fim ao sonho do hexa na Copa do Mundo de 2026. Mas também encerrou aquele breve período em que o país inteiro parecia funcionar no horário da Seleção.

Não é exagero.

Durante algumas semanas, empresa ajustou expediente, bar lotou mais cedo, almoço de domingo mudou de horário e até igreja reorganizou o culto para que ninguém precisasse escolher entre a fé… e a fé na Seleção.

É curioso como a Copa do Mundo consegue fazer isso. Durante um mês, noventa minutos parecem mais importantes do que qualquer compromisso.

Mas domingo à noite o despertador da realidade tocou um pouco mais cedo.

Agora é segunda-feira outra vez.

E segunda-feira nunca entra em prorrogação.


⚽ Enquanto havia jogo, havia esperança

Logo aos três minutos a Noruega já tinha colocado a bola na rede — por sorte, em posição irregular. Foi aquele começo que faz qualquer torcedor pensar: “Hoje vai ser daqueles dias…”

Mas não foi.

Durante boa parte do jogo, o Brasil fez exatamente o que precisava.

Todo mundo sabia qual era o plano da Noruega: bola pelos lados e cruzamento na área. Também, convenhamos… olhando para aquele time, parecia que o Brasil estava marcando postes de rua e eles tinham trazido torres de alta tensão. Se a bola subisse, a vantagem era deles.

E deu certo. Cruzamento que é bom, quase não apareceu. E, sem bola na cabeça, até gigante vira gente comum. Pelo menos durante o primeiro tempo.

Enquanto isso, o Brasil foi se encontrando em campo, criou chances e teve a melhor delas: o pênalti.

A sala silenciou, o bar também e até aquele grupo da família onde nunca falta uma figurinha ficou mudo. Parecia que alguém tinha apertado o botão de pausa do Brasil.

A bola não entrou.

Mas o futebol tem dessas coisas. Quem desperdiça uma chance dessas normalmente passa o resto da semana tentando explicar por quê. E Copa do Mundo raramente perdoa.

As mudanças abriram justamente os espaços que o Brasil havia conseguido fechar durante todo o primeiro tempo.

Bastou um cruzamento.

Um só e quem até então era gente comum voltou a ser gigante.

O Brasil saiu para buscar o empate, deixou espaço e a Noruega agradeceu.

Veio o segundo gol.

Neymar ainda descontou de pênalti, mas o relógio já jogava pela Noruega.

E futebol tem dessas ironias. Você passa mais de oitenta minutos fazendo quase tudo certo e acaba lembrado pelos poucos minutos em que deixou a história escapar.


☕ O apito final encerrou o jogo. A conversa, não.

Se tem uma coisa que brasileiro faz tão bem quanto assistir futebol é explicar depois por que o jogo terminou daquele jeito.

Nesta segunda-feira, o país inteiro ganhou uma prancheta imaginária. No café da empresa, na fila da padaria e na mesa do almoço, cada um já encontrou o culpado da eliminação. Para uns, foi o pênalti. Para outros, as mudanças no segundo tempo. Sempre aparece também aquele amigo que garante, com a tranquilidade de quem está no sofá, que faria diferente.

E tudo bem.

Essa resenha faz parte da Copa tanto quanto a bola rolando.

Ela vai atravessar a segunda-feira, entrar na terça e ainda aparecer na quarta quando alguém disser: “Se aquela bola entra…”

Mas, como toda boa conversa de Copa, também tem prazo de validade.


☕ A vida volta ao horário normal

É justamente aí que a Copa mostra uma de suas características mais curiosas.

Ela não termina apenas para a Seleção.

Ela termina para todo mundo.

Acabaram os horários adaptados, a correria para chegar antes da bola rolar e a sensação de que noventa minutos eram o compromisso mais importante da semana.

Mas como brasileiro gosta mesmo é de futebol, a Copa ainda não acabou de vez.

Agora a torcida se divide. Tem quem passe a torcer pela Noruega, afinal, se o Brasil caiu, que pelo menos tenha sido para a futura campeã do mundo. Outros escolhem o azarão da vez, porque brasileiro também tem uma queda por quem entra em campo com menos favoritismo.

Só que isso também passa.

Daqui a pouco a Copa fica em segundo plano, o Brasileirão volta e cada um reencontra seu clube de coração. Eu, por exemplo, volto a acompanhar meu Cruzeiro. E os vascaínos da vizinhança que se preparem…

Porque o futebol muda de competição, mas a resenha nunca entra em férias.

O comércio segue seu ritmo, o despertador continua tocando cedo, os boletos não aceitam prorrogação e a segunda-feira faz o que sempre fez: chega sem pedir licença.

Talvez esse seja o maior poder da Copa do Mundo. Durante algumas semanas ela reorganiza a agenda de um país inteiro. Depois devolve cada um ao seu campeonato particular.


🏁 Conclusão

A eliminação dói.

Sempre dói.

Nos próximos dias ainda vamos discutir o pênalti perdido, o cruzamento que apareceu e a substituição que cada brasileiro faria diferente.

Depois a Copa continua sem a gente.

O Brasileirão volta.

Eu volto a acompanhar meu Cruzeiro.

Os vascaínos da vizinhança voltam a ouvir as provocações de sempre.

E cada brasileiro reencontra seu próprio campeonato: o trabalho, a família, os compromissos, os boletos e os sonhos que não esperam quatro anos para entrar em campo.

O hexa ficou para 2030.

A segunda-feira, essa, chegou no horário de sempre.


Por Adelar Dias Junior
Jornalista | MTB/DRT 2593/ES

📌 Leia também

  • Brasil vence o Japão de virada e faz a semana começar diferente.
  • Como a Copa do Mundo muda a rotina dos brasileiros.
  • Brasil x Haiti: quando o consumo também entra em campo.

Sobre o autor

Adelar Dias Junior é jornalista, editor da Revista Digital Pauta Solta e escreve sobre comportamento, política, economia e cotidiano, sempre buscando mostrar como as grandes notícias chegam à vida das pessoas. Acredita que uma boa conversa, acompanhada de um café, continua sendo uma das melhores formas de entender o mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *